05
Apr
Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura
ché la diritta via era smarrita.
Ahi quanto a dir qual era è cosa dura
esta selva selvaggia e aspra e forte
che nel pensier rinova la paura!
(Dante de Alighieri - “La Divina Commedia”, Canto I)
Como com Dante, este é um momento de parada e de passeio. É o meu meio do caminho, talvez possa dizer que minha selva escura seja este percorrer, não pelos círculos infernais, mas pelos corredores da biblioteca e tentando encontrar possibilidades entre os inúmeros nomes desconhecidos, que como aparições, surgem. O que eu sei/sabia de literatura?
Minha experiência com literatura me leva a crer que com palavras é possível viajar por dentre mundos e submundos, absorver conhecimento, fermentar ideias e sonhos.
Hoje, talvez, entre vias perdidas e ainda confusas, só posso dizer que é coisa difícil, a cosa dura de Dante, o trabalho de pensar e potencializar uma leitura torna o pensamento concreto, pesado, por mais que isso possa parecer um paradoxo. É talvez, nesta selva densa e difícil que eu posso renovar, com medo, meu pensamento. É assim, que me vejo no meio desse vasto universo de concepções, um mero viajante, ainda na metade de um longo caminho.

